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Trabalhar menos. Trabalhar melhor

Publicado por Sérgio Meireles, Domingo, 16.08.15

Desafiar a cultura da velocidade, da acumulação, do frenesim, da quantidade sobre a qualidade. Não para tentar impor o seu contrário, mas para repor equilíbrio nas diferentes áreas da vida.

 

O movimento slow ambiciona proteger um bem escasso que é transversal a tudo o que fazemos — o tempo —, interrogando-se sobre como o gerimos e o que fazemos dele. Não se trata de recusar as tecnologias, as conquistas do bem-estar ou aspectos positivos da globalização, mas de os tornar aliados no objectivo da sustentabilidade. Não se trata de fazer a apologia da lentidão ou de encarar o trabalho de maneira negativa, mas sim de enaltecer o revigoramento que pode surgir quando se vive segundo um modelo em que se sabe quando é necessário abrandar ou acelerar, não deixando que o desacelerar se torne estagnação, nem que a hiperactividade se torne obsessão.

 

O tempo tornou-se a unidade de medida de tudo, até do espaço. Já não falamos de distâncias quilométricas, mas de tempo de viagem: três horas de voo. Duas de comboio. Quatro de carro.

 

As teorizações acerca do tempo e do ritmo são recorrentes ao longo da história. Mas na última década, em parte por reacção ao culto da rapidez, a procura do tempo justo tem sido revalorizada.

 

Os diferentes movimentos slow surgidos nos últimos anos — slow cities, slow food, slow design, slow travel, slow thinking e tantos outros — direccionam a sua abordagem para áreas específicas, mas no fim de contas todos alertam para a necessidade de abrandamento do mundo moderno, não para regressarmos a formas pré-modernas, mas para reconfigurarmos o presente.

 

A questão é como desacelerar num contexto contemporâneo que nos impele exactamente para o contrário. Um ambiente onde a produtividade ainda é associada a trabalhar muito e não racionalmente, onde ter sucesso ainda é sinónimo de acumular, ou onde a satisfação é tantas vezes confundida com consumir. 

 

“Há uns anos, em férias, simplesmente não conseguia desligar-me do trabalho, passava o tempo ao telemóvel”, ri-se Maria Andrade, advogada de 43 anos, que se viu obrigada a reduzir o ritmo de trabalho depois de ter apanhado um valente susto de saúde.

 

“Às tantas fui avisada por mais de um médico de que tinha de parar”, confessa, recordando a sua relação com o trabalho: “Inventava, inclusive, desculpas para mim própria para não tirar férias, era como se não soubesse o que fazer com elas, como se fossem uma perda de tempo. Vivia apenas e só para o trabalho.”

 

O seu caso é extremo. Abrandar, mais do que opção, foi um imperativo. O facto de ter uma situação desafogada do ponto de vista material permitiu-lhe parar durante um ano e reflectir. Quando regressou ao escritório de advogados, renegociou o contrato de trabalho. Passou a auferir um vencimento menor, em troca de laborar menos horas e de ser ela a controlar o seu tempo. No início não foi fácil, “porque estamos inseridos no colectivo e alguns colegas não percebiam a situação de excepção que eu representava”.

 

Hoje diz que a situação se normalizou e não está arrependida. Apesar de se saber uma privilegiada, “porque nem todas as pessoas se podem dar ao luxo de ver o seu ordenado reduzido”. Maria Andrade ganhou outras coisas. “Antes era uma mulher ansiosa com trabalho. Agora sou mais construtiva e produtiva e também com mais tempo para mim, para os que me rodeiam e para tudo aquilo que fui adiando ao longo dos anos — da natação à pintura. Não tenho qualquer dúvida de que abrandar me tornou mais eficiente, produtiva e realizada.”

 

Este artigo parcial é do Público e pode ler o mesmo na íntegra aqui.

 

 

 

 
 

 

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